Há muito que gosto de escrever. Desde pequeno. Costumo rabiscar guardanapos em mesas de bares e lanchonetes, escrever cartas para amigos, escrevinhar coisas que penso e, por estar tentando seguir a carreira de jornalismo, costumo escrevinhar anotações em um bloco de notas que uso quando estou em atividade como estagiário de um portal de notícias da cidade.
Já tive um blog onde postava escritos meus, mas que teve que ser extinto. Hoje, mantenho, muito nas coxas, um outro, os Meus Fragmentos de Cotidiano. Mas, eu já venho há algum tempo com a ideia de criar um blog no qual eu fale, única e exclusivamente, sobre o Clube de Regatas do FLAMENGO.
A pretensão de escrever sobre aquele que, sem sombra de dúvidas e sem dúvidas à sombra, é a maior de todas as minhas paixões, nunca havia sido posta em prática. E eu nem sei o porquê. Até cheguei a fazer algumas postagens, em dias de jogos, no meu outro blog. Mas, nada além disso. Era preciso um espaço no qual a única motivação fosse o FLAMENGO. Mas, sempre protelei, aleguei falta de tempo para dedicar a atenção merecida. Enfim, deixei sempre para depois.
Entre tantas outras possibilidades, me passavam pela cabeça algumas considerações sobre começar a escrever. E eu costumava me dizer coisas do tipo: (2009) “Se o MENGÃO for HEXA, eu começo este blog” – não comecei; (2010) “Se a gente levar o TETRA do Carioca, o blog sai” – não saiu; “Se conseguirmos a Libertadores, chama-se ‘está escrito’” – não esteve.
Hipóteses ruins também engrossavam o coro das possíveis motivações para o blog. Como quando perdemos a final da Taça Rio para o Botafogo ou quando fomos eliminados da Libertadores pelo Univesidad do Chile. Mais, recentemente, pairava a ideia de começar a escrever caso fôssemos (ou viéssemos/viermos a ser) rebaixados no Brasileirão. Dizem que a dor motiva a escrita, né? Motiva, sim!
Esse outubro amanheceu cinzento. Como se não tivesse que ter amanhecido. Como se o CARA lá de cima tivesse errado algo, considerado seu erro, mas pensado: “Deixa, vai assim, mesmo!”. Triste erro, CARA. Triste erro!
Acordei relativamente cedo numa manhã que seria de apenas descanso. A mensagem de uma amiga no celular apunhalava: “Zico pediu demissão”. Corrida até o computador e as manchetes dos sites esportivos (e dos não-esportivos) confirmando o inesperado. Redes sociais já trêmulas com o impacto da uma decisão que não afeta a uns poucos envolvidos. Afeta a uma NAÇÃO.
Há exatos quatro meses, com a pompa que merece, ZICO foi apresentado na Gávea como o novo diretor executivo do clube. Mais que isso, para a grande maioria da MAIORAL, era a esperança de novos tempos, de uma fuga à mediocridade imposta por administrações corruptas que assolam o FLAMENGO há tanto tempo. Mas, o Galinho não conseguiria limpar a sujeira instaurada dentro dos nossos muros e nos nossos contratos num estalar de dedos. Era preciso muito trabalho e tempo. E ZICO tinha um projeto a longo prazo: dois anos, pelo menos. Com atenção especial às categorias de base e à construção de um centro de treinamento, áreas de interesse pelas quais os últimos trocentos dirigentes não se interessaram.
O fato é que aqueles que acompanham o FLAMENGO com mais afinco, mesmo sabendo das nobilíssimas intenções de ZICO, não julgavam a missão fácil e/ou sem oponentes. Óbvio que os sanguessugas que sempre se importaram mais consigo que com o patrimônio do clube, não iriam aceitar de pronto as boas intenções do Galinho. E, durante esses quatro meses, o maior ídolo da história do maior clube foi interpelado, atrapalhado, perseguido. E, amargamente, percebia-se que uma parte ínfima da NAÇÃO estava cega e compactuando das injustiças direcionadas a ZICO. Mas, mais evidente que tudo, a esmagadora maioria da torcida, estava do lado certo (vide a campanha “Com Zico, Pelo Flamengo”).
Ele cometeu erros? Sim. Ele é humano. Vacilou em manter Rogério Lourenço por tanto tempo como técnico. Contratou pouco e mal. E, mais recentemente, manteve Silas no comando do time. Mesmo que deixemos todos esses erros apenas na conta dele (porque, afinal, de fato, não o são), ainda assim não cabem represálias, retaliações ou coisas do tipo. Há décadas nosso FLAMENGO está nas mãos de crápulas que se acham os chefões da parada e aniquilam nossas forças – quase às cegas. Não daria para resolver tudo de uma hora para outra. Nem ZICO conseguiria. Nem ZICO conseguiu.
Agora, pela segunda vez (muito embora possa parecer imediatismo exagerado), a NAÇÃO se vê órfã, de novo, do seu deus. Eu não acompanhei a carreira de ZICO em campo. Mas, guardadas as proporções, acho que agora entendo o que PAPAI sentiu quando ZICO se despediu, como jogador, do nosso FLAMENGO. Entendo o que os milhões de adoradores do esporte bretão sentiram quando ZICO parou de jogar futebol. Acho que agora entendo o que é encarar suas esperanças sendo esmagadas impiedosamente. ZICO, como bom FLAMENGUISTA que é, queria nos dar um novo FLAMENGO. Não deixaram. E, por isso, o dia é triste. Por isso, estou desmotivado para as próximas horas. Por isso, as expectativas pro próximo jogo do time não me são entusiasmantes. Por isso, este blog começa hoje. E não se sabe quando termina. Porque, se até ZICO no FLAMENGO tem fim, que diremos sobre este blog.

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